segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A PENA DE MORTE NO MUNDO ANTIGO: GRÉCIA E EGITO

Por Elaine Herrera

A pena de morte era amplamente utilizada no mundo antigo, o tribunal era constituído por reis, sacerdotes, juízes, e cidadãos, dependendo do período e da civilização. Nem sempre a aplicação da pena capital seguia a um código jurídico, ou estava apoiada no flagrante do delito. O que obviamente revelam as inúmeras execuções de inocentes.

O julgamento ateniense na Grécia clássica era realizado na Ágora, os jurados eram escolhidos entre os cidadãos e as penas variavam conforme a gravidade do delito, o transgressor poderia sofrer multas, escravidão, exílio e até execução.

Com o flagrante, o acusado do delito poderia ser executado a pauladas, apedrejamento ou ainda poderia ser jogado do alto da acrópole, sem a necessidade de um julgamento, essa aplicação de pena capital automática só não era praticada durante o período dos festivais religiosos, nesta época não poderiam acontecer qualquer tipo de assassinato. Eram executados em geral os homicidas, traidores e piratas.

Aos mais abastados à execução era por meio de uma bebida a base do suco de planta venenosa, um famoso exemplo da pratica a pena de morte, foi a execução de Sócrates, que preferiu a morte a manchar sua cidadania. “Em 399, Sócrates foi acusado de heresia por pequena maioria dos 501 jurados, uma ampla maioria votou pela pena de morte”. (Cartledge, 2009, p. 236)

Aos menos afortunados a execução também se dava através de fixar braços, pernas e pescoço com braçadeiras de ferro, a placas de madeira, onde os acusados morriam de fome e sede. Essa pena foi aferida aos revoltosos da Ilha de Samos por Péricles.

No Egito as leis eram promulgadas pelos faraós e pelos sacerdotes que também funcionavam como juízes. Existem poucas fontes do direito egípcio, um exemplo de registro do direito penal que chegou até nossos dias, pertence a 19ª dinastia, uma estela de Karnak.

A pena de morte era aplicada quando o acusado mentia ao tribunal, o kenbet, esse perjúrio poderia custar não só a vida do acusado, mas também o de toda a sua família. Entretanto esta penalidade não era empregada quando a mulher era a criminosa, neste caso o marido não seria morto com ela.

Os crimes mais graves no Egito eram os cometidos contra o estado, o rei e ainda no roubo as tumbas. Geralmente as penas eram de entregar o criminoso aos crocodilos, ou por empalação no estômago, ou ainda o condenado era queimado vivo. Nos crimes contra o rei, o acusado ao final do julgamento era convidado a se matar.

As punições nem sempre estavam ligadas a gravidade do delito, o que tornava o tribunal numa roleta russa. Outro tipo de penalidade ainda empregada junto a execução era de negar o enterro ao executado, o que na cultura egípcia impediria o seu renascimento.

Percebemos que a aplicação da pena de morte na antiguidade estava muito ligada à condição social do acusado, assim como a falta de autonomia da mulher, fazia do adultério feminino uma sentença de morte. Em nossos dias alguns países ainda utilizam-se da pena de morte, embora as formas de execução possam não ser as mesmas da antiguidade, concluímos que praticas do mundo antigo, não ficaram no passado.


O COQUE


O Coque já era um penteado muito utilizado já no início do Império Romano. Os cabelos eram penteados para traz, mas para não perder a suavidade, e esboçar feminilidade, as madeixas eram alinhadas ao centro do coque ou “nó” que por sua vez era alinhado à fronte.

Esse estilo era usado na antiguidade romana, pelas mulheres casadas geralmente as mais abastadas, com intuito de passar a imagem de mulher séria, severa propagadora das tradições romanas. Uma adepta deste penteado foi Lívia, esposa do primeiro imperador de Roma, Otávio Augusto. Com a face completamente a mostra, Lívia a imperatriz era um modelo de esposa, para os patrões romanos

sábado, 4 de dezembro de 2010

Reflexão sobre a Percepção de Valor Intrínseco

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.
Eis que o sujeito desce na estação do metrô: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.




A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post em abril de 2007 era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?

Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos, os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro.

Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho.

O CARA É O GAMBIT

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ESSE VÍDEO É MTO LOUCO

VOCÊ NÃO IRIA DORMIR SEM SABER ESSA: O ANÃO QUE VIROU GIGANTE



Adam Rainer (1899 - 4 de março de 1950) é a única pessoa comprovadamente que de anão passou a ser um gigante. Rainer nasceu em Graz (Áustria). Em 1920, ele tinha apenas 1,18. Depois, por razões que nunca foram explicadas, Rainer passou por um surto de crescimento, tanto que em 1931 ele já tinha 2,18. Devido ao seu ritmo de crescimento acelerado Rainer passou o resto da sua vida na cama. Quando morreu em 1950, ele media 2,34.

ALERGIA AO SOL

O que define uma alergia é a resposta do sistema imunológico de uma pessoa a alguma substância e causa lesões físicas como consequência. a gente vê, conhece e tem alergias há várias coisas, e uma das alergias que entram na lista é à luz do Sol que se deve à entrada dos raios ultravioleta na pele, que atingem os mastócitos, células do tecido conjuntivo, ricas em histamina. A partir de estímulos da luz, essa substância é liberada, dilatando os vasos sanguíneos.

Com isso, a pele fica com vermelhidão, coceira e inchaço. Esse processo é o mesmo para outros tipos de alergia – o que muda apenas é o agente que entra em contato com os mastócitos.

Sinistro


KATE NASH NO BRASIL EM FEVEREIRO DE 2011

A britânica ruiva vai se apresentar dia 24 de fevereiro, no Circo Voador, Rio de Janeiro; e no dia seguinte, no HSBC Arena, em São Paulo. Então é melhor ir poupando a grana que pelo jeito que andam metendo a mão no preço dos ingresssos...

COISITAS LEGAIS


Aii adorei esse cachecol imitando o aviso da polícia para nenhum intrometido se meta na cena de um crime..se aqui fizesse mais frio ia arrumar um desse para mim


Outra coisa que achei legal foram as forminhas em forma de ninjas..nada melhor que biscoitos em formatos ninjas..super criativo

A venda nesse site aqui

A MONTANHA E O RIO


Devo confessar que me interessei pela primeira vez pelo livro por conta da capa..não sei..a achei enigmática com o rapaz voltando seu rosto para a paisagem que parecia estar abandonando...então li a sinopse e caramba um romance que passa pelo período tumultuado da China..fim da Revolução Cultural e sua abertura gradual para o Capitalismo. Isso de pano de fundo para a história de dois meio-irmãos Shento e Tan, o primeiro fruto de um romance extra-conjugal e outro o legítimo filho do poderoso general Ding Long. Os dois têm trajetórias bem distintas até que a história da China faz com que tudo mude radicalmente e os dois irmãos por tantos motivos que o destino colocou em suas vidas faz com que se odeiem ainda mais depois que começam a disputar o amor da mesma mulher..Sumi Wo. É um daqueles livros que quando você começa a ler não consegue mais parar querendo saber o que vai acontecer com os personagens, você quer ler na rua, no busão, no trabalho... E o final é bem surpreendente Ótimo livro até mesmo para conhecermos um pouco da cultura da China

O GAROTO DE LIVERPOOL - TRAILER LEGENDADO

BOA PC

Produção cultural brasileira ganha um superguia

Quem trabalha com produção cultural no BRASIL, sabe o quanto é difícil para colocar uma ideia em prática. Seja para conseguir financiamento, para saber detalhes do que cada um na equipe técnica deve proceder, entre outras questões, os profissionais desta área precisam usar muita criatividade para driblar as eventuais dificuldades.

Pensando nisso, nasceu o PROJETO Produção Cultural no BRASIL, realizado pela Casa da CULTURA Digital e pelo MINISTÉRIO DA CULTURA. O idealizador deste trabalho, Fábio Melaronka Ferron, conta como se deu este processo.

"O objetivo é o de movimentar e estimular o debate em torno deste setor, que empregaram no período de 2003 até 2005 mais de 1,5 milhão de pessoas no País. Não havia um material similar a este no BRASIL e vimos que seria uma boa oportunidade para que as pessoas ligadas à esta área tenham menos dificuldades na hora de colocar em prática os seus projetos", revela.

O material pode ser encontrado para download no site www.producaocultura l.org.br de forma gratuita e será também editado e publicado em uma coleção de cinco livros, com tiragem de três mil exemplares, que serão distribuídos para bibliotecas nacionais e universitárias.

"Todo o material está livre. Qualquer pessoa que necessitar reproduzi-lo ou utilizá-lo, poderá fazer", garante Ferron. O material conta com cem entrevistas, realizadas no primeiro semestre deste ano.

IMPRIMA MENOS..USE A EXTENSÃO WWF


Mais uma campanha da WWF que desta vez quer incentivar a diminuição da quantidade de papel gasto com impressão..muitas vezes de forma desnecessária . Ela acaba de lançar no mercado um novo formato de arquivo, o .wwf. Semelhante ao .pdf, essa extensão, após instalada no seu pc, permite que você salve todos os seus documentos desabilitando o "print" dentro dos mesmos.
Por enquanto só roda no mac mas em breve estará no windows


MGM TEM FALÊNCIA APROVADA


Um dos estúdios mais tradicionais do cinema, a MGM teve seu plano de falência e recuperação aprovado pelo juiz Stuart Bernstein.

Com dívidas na casa dos US$ 4 bilhões, a MGM apresentou um plano de reestruturação financeira à justiça norte-americana e agora, com a aprovação, passará a realizar o previsto no mesmo.

O plano prevê que Gary Barber e Roger Birnbaum, fundadores da produtora Spyglass Entertainment, assumem o comando da MGM, que passará a adotar uma série de medidas de contensão de gastos.

A MGM deixará de investir na distribuição de longas e fará uma mudança geral no que diz respeito aos endereços de seus escritórios. O plano prevê a mudança para imóveis mais baratos.

A dupla responsável tentará manter o caixa em dia e aposta nos sucessos do próximo filme do agente 007 e nos dois longas baseados em O Hobbit para fazer da MGM, mais uma vez, um negócio rentável

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

GENE DE PETER PAN

Uma pesquisa publicada no Nature Genetics pode ajudar porque algumas pessoas aparentam ser mais velhas do que sua idade e outras mais novas.

A análise do DNA de 12 mil pessoas revelou que 38% da população têm um conjunto de genes que acelera o envelhecimento em 3 a 4 anos, enquanto outros 7% têm esse conjunto duplicado, parecendo até 8 anos mais velhos.

Já o sortudos, que ficam anos com carinha de bebês, trazem o chamado “gene de Peter Pan”. O gene está ligado ao tamanho dos telômeros – as extremidades dos cromossomos. Na divisão celular, telômeros maiores demoram mais para se reduzir e morrer – evitando assim, o envelhecimento celular e fazendo com que o rostinho jovem dure por mais tempo. Torça para ter o seu!

ARREBENTOU

CAMPANHA DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER = RARAMENTE PARA

VOCÊ NÃO IRIA DORMIR SEM SABER ESSA

O primeiro país a introduzir o sistema de códigos postais foi a Alemanha no início da década de 60

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Bispo Edir Macedo a favor do Aborto

por essa não contava...

O famoso bispo Edir Macedo (ele mesmo, o fundador da IURD) postou em seu blog uma declaração a favor do aborto para preservar a vida e a dignidade da mãe.


Algumas pessoas têm questionado minha posição quanto à descriminalização do aborto. Um dos argumentos mais citados é quanto ao mandamento “não matarás”. Mas, me parece que o engano está na compreensão da totalidade do significado do termo “matar”.



“O dicionário Houaiss, entre as várias definições que apresenta para este verbo, diz: “causar grande prejuízo ou dano a; arruinar.” E também: “causar sofrimento a; mortificar, afligir; ferir.” Vemos, com isso, que matar não é somente tirar a vida de alguém, mas também praticar qualquer ato que impeça que alguém tenha vida com qualidade, dignidade, felicidade.

Permitir que uma criança indesejada venha ao mundo em uma família desestruturada, sem condições de lhe oferecer uma vida minimamente digna, expondo-a à violência, maus tratos, perda da autoestima e tantas outras mazelas, não significa dar um ser à luz, mas sim condená-lo à morte; uma morte social e psicológica, que vai gerar a pior de todas as mortes: A ESPIRITUAL.

As crianças que andam pelas ruas, entregues à própria sorte, não nasceram; elas foram jogadas no mundo, como fruto da inconsequência e irresponsabilidade de adultos despreparados, muitos deles que apenas repetem a história de abandono e omissão da qual também foram vítimas.

Estas crianças, primeiro são odiadas por seus genitores e depois passam a ser odiadas pela sociedade. A mesma sociedade que levanta a bandeira do direito à vida é capaz de virar o rosto em atitude de asco, e atravessar a rua para não passar perto de um menor indigente estirado no chão, cheirando a fezes e urina. O nome disso é hipocrisia.

Os que gostam de apontar pecados, precisam ver que o erro não está em interromper uma gravidez indesejada, mas está antes: na banalização do sexo, na desinformação, nos inúmeros fatores que levam um casal a se relacionar e gerar um filho com o mesmo descompromisso com que encaram a própria vida.

Não estamos fazendo apologia do aborto; estamos dizendo “não” à hipocrisia. As mulheres não deixam de abortar porque isso é um ato ilegal. A decisão de interromper uma gravidez tem como motivo principal o fato de ela não ser desejada, causada por fatores que vão desde uma noite de loucura até violência sexual. Se esta decisão for tomada, ela será levada a cabo, independentemente de sua legalidade, em clínicas clandestinas, que podem levar estas mulheres à morte, mutilação ou sequelas de procedimentos mal realizados.

A legalidade do aborto permite que estas mulheres possam ser atendidas clinicamente da maneira que procede, e não coloquem sua vida em risco. Isso é direito à vida.

A legalidade do aborto evita que crianças inocentes venham ao mundo para sofrer e ter uma vida miserável.

A legalidade do aborto evita a clandestinidade dos procedimentos cirúrgicos.

Uma mulher que deseja interromper uma gravidez, seja pelo motivo que for, não é uma criminosa, é um ser humano em aflição, que precisa ser acolhido, amado, orientado e não condenado. É este o papel que a IURD tem realizado como Igreja.

A todas as pessoas que olham para estas mulheres com ódio e intolerância, achando que com isso estão agradando a Deus, fica esta Palavra: Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele. I João 3:15″

Quem não acredita..confere lá no site oficial do Bispo Edir Macedo.

Do beliscão ao beijo: uma história dos gestos de amor

por Renato Pinto Venâncio

Memórias de um Sargento de Milícias (1853) de Manuel Antônio de Almeida, é um dos livros mais famosos e engraçados da literatura brasileira. Nele são contadas as aventuras e malandragens do filho de um casal português que, nas primeiras décadas do século 19, veio morar no Rio de Janeiro. O início do livro mostra como os pais do herói se conheceram: “estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.”

Por incrível que pareça, outros textos mostram que essa descrição não é pura invenção literária. No Portugal do século 18 – e, muito provavelmente, também no Brasil –, o beliscão, como expressão de amor, era bastante difundido. Havia até uma tipologia de beliscões, que variavam de acordo com as circunstâncias. Entre os recém-conhecidos, era de bom-tom beliscar “de pincho”, aplicando levemente a torção sobre a pele. Para os mais íntimos valia o beliscão “de estorcegão”, também conhecido como “enérgico”. A moda era tão corrente que houve quem discutisse a necessidade de construir divisórias no interior das igrejas para impedir belisquinhos e beliscões durante a missa.

Os estudiosos desse gesto associam-no ao “namoro camponês”. Beliscões, pisadas de pé e mútuos estalos de dedos consistiam em rituais que simbolizavam a dura vida rural. No universo camponês das sociedades pré-industriais, o domicílio familiar não significava somente local de vida social, mas também de produção de quase todos os bens do cotidiano. Do alimento às roupas, tudo era produzido pelo casal. Daí os rituais que simbolicamente avaliavam a resistência e força dos noivos.

Ao contrário do que se poderia imaginar, o gesto em nada tinha de sadismo ou maldade – ou não era compreendido dessa forma. Muito menos representava uma atitude machista, pois os beliscões eram compartilhados por homens e mulheres. Talvez a forma mais fácil de entender o que foge à nossa compreensão seja através do contraste com a marca ritual do namoro de nossos dias: o beijo. Tal gesto também tem uma longa história. Durante a Idade Média beijar era uma forma de reconhecer poder. Os nobres, por meio do beijo na boca, selavam pactos com seus vassalos. Aos poucos, trovadores medievais foram se apropriando desse gesto para expressar o amor. E ele passou a significar que, na relação amorosa, a mulher era a suserana e o homem, o vassalo; do pacto senhorial também foi copiado o beijo na mão da amada.

Toda essa tradição irá mudar no século 19, período marcado pela industrialização e urbanização, com o surgimento de novas classes sociais. Os burgueses e proletários dos novos tempos adotaram o “beijo” como forma de expressão do amor. Por quê? Ora, não é de se estranhar que as novas classes dominantes copiassem as atitudes refinadas das elites anteriores. Aliás, isso podia até ser prática, já que, desde fins do Antigo Regime, era comum a união entre homens burgueses e mulheres nobres.

Também conspirava a favor do “beijo” o fato de a família, no século 19, ter deixado de ser um local de produção para se tornar apenas um espaço de convívio social. Aos poucos, os casais refinaram seus rituais amorosos. Isso, com certeza, não ocorreu de uma hora para outra. Nem se difundiu simultaneamente em todas as regiões e grupos sociais. Tornar tais comportamentos um objeto de estudo revela um caso limite do conhecimento do passado: mesmo o gesto mais íntimo de nosso cotidiano, mesmo aquilo que ingenuamente acreditamos pertencer à “natureza humana” sofreu mudanças ao longo do tempo. Descobrir e interpretar essas transformações é fazer da história uma aventura.

Renato Venâncio é professor da Universidade Federal de Ouro Preto e autor de Famílias Abandonadas, entre outros livros

PARA QUEM CURTE CINEMA

FOTOS MARCANTES DO SÉCULO XX COM EFEITO 3D

DE ARREPIAR